A solo rider crosses the white sand dunes of Lençóis Maranhenses National Park on horseback, with a rainwater lagoon stretching behind her.
Histórias

Travessia dos Lençóis Maranhenses a Cavalo: a Aventura Solo de Patricia no Brasil

25 de junho de 2026

Uma viajante, quatro semanas e a travessia a cavalo do deserto mais surreal do Brasil, contada em suas próprias palavras

Algumas das melhores viagens são aquelas que você nunca planejou. Patricia George, 31 anos, fisioterapeuta da Alemanha, tinha planos para surfar em Bali. Uma semana antes do embarque, seus voos, que passavam por Abu Dhabi, foram cancelados por causa da guerra. Ela queria um lugar quente e com boas ondas; uma amiga de São Paulo disse para ela ir ao Brasil, e foi exatamente isso que ela fez. Era a primeira vez dela no país e a primeira vez na América do Sul, sozinha por quatro semanas.

Ela começou em São Paulo, surfou por 5 dias em Ubatuba e depois passou por Paraty, Rio de Janeiro e Ilha Grande antes de voar para o norte, até o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, uma extensão de 155.000 hectares de dunas brancas e lagoas de água de chuva no estado do Maranhão, reconhecida como parque nacional pelo ICMBio. De todos os lugares que viu no Brasil, esse foi o favorito. “Foi realmente impressionante”, disse ela. “Nunca vi nada parecido antes.”

Patricia cavalgou pelas dunas e lagoas, uma experiência organizada e conduzida pela equipe do PlanetaEXO e por parceiros locais. Agora, compartilhamos a história dela para mostrar como é atravessar os Lençóis Maranhenses a cavalo. Confira abaixo!

Passeios a cavalo desde os 10 anos (mas nunca na areia)

Patricia não escolheu a travessia a cavalo como novidade. Ela monta desde a infância, então a sela era território conhecido. O terreno, não. “Eu cavalgo desde os 10 anos”, contou ela, “mas cavalgar na areia é muito diferente.”

Atravessar as dunas não tem nada a ver com dar voltas num campo em casa: o chão se move, o cavalo trabalha mais e o trajeto segue por horas entre lagoas, em vez de girar dentro de um gramado cercado.

Para quem tem experiência, é justamente esse contraste que importa: a habilidade continua valendo, mas o cenário transforma uma atividade conhecida em algo novo.

Uma cavaleira de boné faz uma pausa para acariciar o focinho do cavalo nas dunas brancas dos Lençóis Maranhenses ao pôr do sol.
Cavalgar na areia é bem diferente — mas o vínculo é o mesmo.

👉 Leia mais: Melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses

Dias na sela, sem sinal e sem pressa

O que mais marcou Patricia foi o isolamento. O grupo passava o dia inteiro a cavalo, longe do sinal de celular, sem nada disputando a atenção dela.

“A gente ficava o dia todo a cavalo, e você só tinha tempo para pensar”, refletiu. “Não é algo que temos no dia a dia.” Num parque onde as lagoas de água de chuva ficam entre dunas que chegam a 40 metros de altura, a paisagem fala por si. Não há playlist, não há notificações: só areia, água e o ritmo do cavalo.

Esse tipo de desconexão é parte do motivo pelo qual a cavalgada nos Lençóis Maranhenses é tão diferente de um passeio de um dia. Você não só visita as dunas, mas também se conecta com a natureza e vive dentro dela por alguns dias.

Uma lagoa turquesa de água de chuva entre dunas de areia branca sob um céu azul nos Lençóis Maranhenses.
As lagoas de água de chuva ficam entre dunas de até 40 metros de altura.

👉 Leia mais: Como se formaram os Lençóis Maranhenses: entendendo as dunas e lagoas do Brasil

O guia que lê a paisagem

Num lugar sem estradas, sem placas e sem sinal, o guia é tudo. O de Patricia deixou uma forte impressão.

“Fiquei muito impressionada com o meu guia, com a forma como ele lia a paisagem e sabia exatamente para onde ir”, lembrou. “Sem o celular ou o Google Maps, eu estaria completamente perdida.”

Ele fazia aquele trajeto havia anos e conhecia todo mundo pelo caminho, o que dava à viagem toda a sensação de uma pequena comunidade de trabalho, e não de um circuito turístico. Como dissemos à Patricia, o guia dita toda a viagem, e, num lugar como os Lençóis, eles são essenciais.

Uma cavaleira ao lado do cavalo nas dunas, observando uma lagoa no interior sem estradas dos Lençóis Maranhenses.
Sem estradas nem placas, o guia lê a paisagem.

Viajar sozinha como mulher

Antes de partir, Patricia ouviu a preocupação de sempre. “As pessoas diziam: ‘Tem certeza de que quer ir? O Brasil não é o lugar mais seguro, ainda mais para uma mulher.’” Apesar dos avisos, sua experiência foi o oposto.

“Sinceramente, sempre me senti segura ao longo dessas quatro semanas”, disse. Como a viagem foi muito espontânea, ela chegou sem expectativas rígidas e permaneceu aberta ao que viesse. Essa postura valeu a pena, ainda mais considerando que cada reserva foi de última hora — ela aproveitou o melhor de tudo.

Isso não quer dizer que todas as noites foram fáceis. Na primeira, Patricia passou a noite num alojamento grande de área aberta e percebeu que era a única mulher ali, além da anfitriã. Ela ficou um pouco assustada, mas, como ninguém a incomodou, logo se sentiu à vontade.

A segunda noite foi menos angustiante e mais absurda: a casa dela ficava elevada do chão, atrás de uma cerca para manter os animais do lado de fora, mas os porcos eram fortes demais, derrubaram a cerca e travaram uma barulhenta disputa de território embaixo do assoalho a noite toda. A situação foi, sem dúvida, pura adrenalina, mas no fim deu tudo certo.

Uma viajante conduz o cavalo a pé pelas vastas dunas brancas dos Lençóis Maranhenses sob um céu nublado.
Dias na sela por um deserto de areia e água, sem estradas.

Gente acolhedora, reservada e totalmente presente

Viajar sem falar português teve um custo. Os nativos eram calorosos, mas a barreira da língua deixava as conversas curtas. “Foi uma troca amigável, mas distante”, confessou. Se voltar, aprender um pouco de português está no topo da lista de Patricia, para conseguir fazer perguntas e se conectar de verdade.

Mesmo à distância, uma coisa ficou clara. “As pessoas parecem que estão de fato vivendo a vida”, contou ela, descrevendo como os moradores estavam sempre presentes no que faziam, bem menos agitados do que nos países que tinha visitado antes.

A baixa temporada fez com que a travessia dela fosse só ela e o guia, mas os alojamentos ainda traziam companhia: ela conheceu dois viajantes franceses fazendo o mesmo trajeto a pé e jogou cartas com eles à noite.

Dois cavalos selados descansam na areia à beira de uma lagoa entre dunas durante uma travessia de baixa temporada dos Lençóis Maranhenses.
Baixa temporada: só uma viajante, um guia e os cavalos.

👉 Leia mais: Como chegar aos Lençóis Maranhenses?

Porque o simples foi a escolha certa

Patricia já sabia, antes de ir, que a hospedagem seria básica — e não viajaria de outro jeito. “Eu sabia que seria simples, mas acho que é isso que torna a viagem autêntica. Qualquer tipo de luxo pareceria fora de lugar.”

Num cenário tão bruto, o conforto não é o atrativo, mas a verdade certamente é. A recompensa foi pessoal: a viagem, segundo ela, “me deixou mais confiante”, o que não é pouco para uma primeira viagem longa e sozinha por um continente desconhecido.

Ela já pensando em voltar para o Brasil, desta vez para a Amazônia, atraída pelos hotéis de selva e pelos cruzeiros fluviais no coração da floresta.

Vista aérea de um barco navegando pela floresta alagada e pelos canais de rios da Amazônia brasileira.
O próximo sonho de Patricia: lodges na selva e cruzeiros fluviais na Amazônia.

Conheça os Lençóis Maranhenses a cavalo com o PlanetaEXO

Agora que você viu a travessia de Patricia pelos olhos dela, sabe o que as dunas pedem de você e o que elas dão em troca: dias na sela, desconexão total e um guia que conhece a areia de cor.

O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em expedições a cavalo pelos Lençóis Maranhenses. Trabalhando lado a lado com guias e operadores locais experientes, cuidamos da logística para que você se concentre na cavalgada — da sua primeira reserva à travessia de uma das paisagens mais surreais do Brasil. Fale com a gente agora!