As melhores lagoas dos Lençóis Maranhenses: o deserto de mil lagoas do Brasil
Lençóis Maranhenses

As melhores lagoas dos Lençóis Maranhenses: o deserto de mil lagoas do Brasil

14 de agosto de 2026

Onde fica cada lagoa, que profundidade ela tem, quando enche e quais compensam o trecho extra de dunas

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses cobre 155.000 hectares de areia branca no Nordeste do Brasil. É o maior campo de dunas da América do Sul e o único do continente que se enche de água doce todo ano, sem falhar.

Entre janeiro e junho, a chuva forte eleva o lençol freático e abre milhares de piscinas de água cristalina nos vales entre as dunas. Foi esse encontro entre um cenário de deserto e uma planície que se inunda todo ano que levou a UNESCO a declarar o parque Patrimônio Mundial em 26 de julho de 2024.

Da mesma contradição veio o apelido: muita gente chama o lugar de deserto de mil lagoas, mas a conta real passa longe disso, e, depois da temporada de chuvas, ninguém arrisca dizer quantas lagoas os Lençóis Maranhenses têm.

Photo: Leo Castro
Photo: Leo Castro

Só que as lagoas dos Lençóis Maranhenses não são todas iguais. Algumas ficam a 12 km da cidade, num trecho plano de areia; outras exigem subir 30 metros de duna a pé, e algumas guardam água meses depois que o resto já voltou a ser areia.

Quer saber qual delas entra no seu roteiro? O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em passeios nos Lençóis Maranhenses, reuniu num guia as seis lagoas que os nossos viajantes mais gostam para responder onde fica cada uma, o que muda de uma para a outra e quando ela está de fato cheia. Confira abaixo!

Como se formam as lagoas dos Lençóis Maranhenses

As lagoas não vêm de rios nem de nascentes. O parque recebe cerca de 1.600 mm de chuva por ano, segundo o ICMBio, mais de seis vezes os 250 mm que definem um clima desértico.

Por isso, os Lençóis Maranhenses não são, tecnicamente, um deserto. A areia absorve a chuva quase na hora, e uma camada de sedimentos costeiros e fluviais pouco permeáveis, logo abaixo, impede que a água escoe.

O resultado é um lençol freático que sobe e desce conforme a estação. Quando ele passa dos pontos mais baixos entre as dunas, a água subterrânea aflora sozinha e preenche as depressões. É nesse momento que surgem as lagoas entre as dunas.

A maioria das lagoas fica em torno de 1,5 m de profundidade e, depois de uma temporada de chuva generosa, as maiores chegam a 3 m. Esse mesmo lençol freático prende as dunas no lugar: enquanto a areia está molhada, as cadeias de barcanas param de andar e só voltam a avançar quando secam, a 4 a 25 m por ano, empurradas por ventos de leste com rajadas de 70 km/h.

👉 Leia mais: Como se formaram os Lençóis Maranhenses: entenda as dunas de areia do Brasil e suas lagoas

Quando as lagoas enchem (e quando somem do mapa)

A melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses vai de maio a setembro. A chuva já parou, as lagoas estão no volume máximo e o céu limpo deixa a água puxar para o turquesa em vez do cinza.

De setembro a outubro e de fevereiro a abril, as lagoas estão logo depois ou logo antes do pico. Ainda dá para nadar, e as dunas ficam bem mais vazias. Entre novembro e janeiro, o parque seca: as lagoas menores evaporam por completo e deixam grama e areia nua, enquanto as mais fundas e abrigadas resistem.

Uma consequência prática: se você viaja fora do pico, pergunte ao operador quais lagoas ainda têm água na semana da sua viagem, e não quais são as mais famosas. A resposta muda rápido, e essa é a maior variável de um roteiro nos Lençóis.

Todas as lagoas desta lista dependem da mesma coisa: chuva. Elas enchem entre janeiro e maio, ficam cheias de junho a setembro e diminuem a partir de outubro — algumas desaparecem por completo. Chegar na janela certa é o que separa um banho de uma caminhada na areia seca.

Gráfico do nível das lagoas dos Lençóis Maranhenses mês a mês, baixo de dezembro a fevereiro e cheio de junho a setembro
Período Nível das lagoas O que esperar
Janeiro – Maio Enchendo A chuva escorre pela areia e começa a encher as depressões entre as dunas
Junho – Setembro Cheias A janela em que o parque vira o cartão-postal. É quando quase todo mundo vai
Outubro – Dezembro Secando As lagoas evaporam e sobra o deserto branco. Menos gente, outra paisagem

👉 Leia mais: Qual a melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses?

As 5 melhores lagoas dos Lençóis Maranhenses

As cinco estão dentro do mesmo parque nacional, mas o acesso às lagoas dos Lençóis Maranhenses parte de três cidades diferentes: Barreirinhas, Santo Amaro e Atins. Não existe estrada cruzando as dunas de uma para a outra, então você escolhe uma base e vai abrindo o leque a partir dela.

👉 Leia mais: Como chegar aos Lençóis Maranhenses?

1. Lagoa Azul (Barreirinhas)

A Lagoa Azul é a imagem que quase todo mundo tem do parque na cabeça e a mais fácil de alcançar entre as cinco. O circuito de 4×4 sai de Barreirinhas, vence 12 km de estrada de areia em cerca de 45 minutos e para na borda do campo de dunas. De lá são mais ou menos 2 km a pé até a água.

Larga e rasa nas beiradas, ela faz jus ao nome: a água é de um azul forte. Como os bancos de areia extensos fazem dela a lagoa mais segura do deserto para famílias com crianças pequenas, a maioria dos operadores vende o circuito em meio período. O passeio dura cerca de 4 horas e sai depois do almoço, para pegar a luz baixa do fim de tarde.

  • Onde fica: lado de Barreirinhas, no Maranhão, dentro do parque, a cerca de 12 km da cidade.
  • Como chegar: só de 4×4 (45 min em estrada de areia) e mais uns 2 km a pé.
  • Tamanho e profundidade: uma das lagoas mais largas desse lado; 1,5 m na média, até 3 m depois de uma temporada de chuva forte.
  • Melhores meses: de junho a setembro (à tarde).

2. Lagoa Bonita (Barreirinhas)

A Lagoa Bonita fica a 15 km de Barreirinhas, e o último trecho é vertical: você sobe uma duna de 30 metros a pé, na areia fofa, antes de enxergar qualquer coisa. É a subida mais puxada das cinco e a única que devolve uma vista, não só um banho.

Do alto, as cadeias de dunas vão até o horizonte, com uma lagoa encaixada em cada vale. É o mirante de pôr do sol do circuito de Barreirinhas e o melhor ponto para entender por que o Parque ficou conhecido como deserto de mil lagoas. A lagoa em si é uma das maiores da região, com um tom de azul que costumam comparar ao do Caribe.

  • Onde fica: lado de Barreirinhas, a cerca de 15 km da cidade.
  • Como chegar: 4×4 e uma subida íngreme de uns 30 m de duna a pé.
  • Tamanho e profundidade: entre as mais extensas do lado de Barreirinhas; a profundidade acompanha a média do parque, de 1,5 a 3 m.
  • Melhores meses: de junho a setembro (fim de tarde, por causa do pôr do sol).
  • Vale saber: é o melhor mirante do parque, não o banho mais fácil. Se a subida da duna for um problema, fique com a Lagoa Azul.

3. Lagoa do Junco (Santo Amaro)

Santo Amaro está a menos de 2 km do limite do parque, o que muda o ritmo da visita por completo. Aqui, as lagoas dos Lençóis Maranhenses começam onde a cidade termina. Símbolo da região, a Lagoa do Junco é alcançada após um rápido percurso em veículo 4×4 até o ponto de estacionamento permitido, seguido por uma travessia guiada pelas dunas que dura em média 1 hora de caminhada.

A caminhada é metade do motivo para ir. Você passa por uma dúzia de lagoas menores antes de a principal se abrir, azul-escura no meio e turquesa clara na borda, entre dunas que mudam de forma de uma estação para outra.

Como o acesso dá trabalho de verdade, tudo por ali é bem mais silencioso do que no lado de Barreirinhas. É para cá que você vem se quiser fugir das multidões.

  • Onde fica: lado de Santo Amaro, dentro do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
  • Como chegar: 4×4 até o estacionamento autorizado e cerca de 1 hora de caminhada em cada sentido.
  • Tamanho e profundidade: uma das maiores do circuito de Santo Amaro; de 1,5 a 3 m, conforme as chuvas.
  • Melhores meses: de junho a setembro (a caminhada é quente, então as saídas de manhã rendem mais).

4. Lagoa do Reflexo (Santo Amaro)

A Lagoa do Reflexo é a parada principal do circuito Ponta Verde, que sai de Santo Amaro, com 4×4 e mais uns 25 minutos a pé. A fama dela vem de um detalhe só: nas manhãs e nos fins de tarde sem vento, a superfície fica lisa e espelha as dunas e o céu. Daí o nome.

Sendo a lagoa mais fotografada de Santo Amaro, é também a que mais depende do horário certo nesta lista, já que o vento do meio-dia acaba com o efeito espelho. Ela ainda segura água até mais tarde na seca do que a maioria, e por isso continua aparecendo nos roteiros de outubro e novembro, quando as lagoas menores já viraram areia.

  • Onde fica: lado de Santo Amaro, no circuito Ponta Verde.
  • Como chegar: passeio de 4×4 de dia inteiro e cerca de 25 min a pé.
  • Tamanho e profundidade: rasa e larga (é essa superfície plana e parada que cria o efeito espelho).
  • Melhores meses: de junho a setembro, pelo volume de água, mas vá ao nascer do sol ou no fim da tarde, num dia sem vento; é uma das apostas mais seguras entre outubro e novembro.

5. Lagoa Tropical (Atins)

Atins fica no encontro do Rio Preguiças, das dunas e do Atlântico: uma vila de pescadores que virou base de kitesurfe e ecoturismo, sem perder muito do que era. A Lagoa Tropical é a parada principal do circuito Ponta do Mangue, feito de 4×4 pela praia e por dentro do mangue, até a trilha virar para o interior, na areia.

É uma das maiores lagoas do lado de Atins, de água turquesa e fundo de areia macia, e costuma ser combinada com a Lagoa da Esmeralda e a Lagoa da Gorjeta no mesmo passeio. Passa muito menos carro por aqui do que nos circuitos de Barreirinhas, então ter uma margem só para você é realista, e não sorte.

  • Onde fica: lado de Atins, no circuito Ponta do Mangue.
  • Como chegar: 4×4 saindo de Atins pela praia e pelo mangue; costuma ser meio período ou dia inteiro.
  • Tamanho e profundidade: uma das maiores desse lado do parque; fundo de areia macia e profundidade confortável para nadar.
  • Melhores meses: de junho a setembro (combine com a Lagoa da Esmeralda e a Lagoa da Gorjeta).

Dá para nadar nas lagoas dos Lençóis Maranhenses?

Sim, você pode nadar em quase todas as lagoas dos Lençóis Maranhenses. A água é doce e morna, costuma bater da cintura ao peito, o fundo é de areia firme e não há correnteza nenhuma.

Tem vida ali dentro, mas nada que incomode quem nada. Mais de 30 espécies de peixes sobrevivem nessas piscinas temporárias, entre elas a traíra. Parte delas nasce de ovos que passam os meses secos enterrados na areia, esperando a água voltar; outra parte chega como ovo grudado nas patas e nas penas das aves migratórias, que usam o parque como parada de descanso na rota.

Vale pensar também na preservação das lagoas. O protetor solar é indispensável com a intensidade do sol no Maranhão, mas cremes e óleos prejudicam a qualidade da água. O melhor caminho é passar o protetor bem antes de entrar na lagoa, para a pele ter tempo de absorver e, se der, usar produtos biodegradáveis.

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Conheça as melhores lagoas dos Lençóis Maranhenses com o PlanetaEXO

Agora que você sabe onde fica cada lagoa e quando ela enche de verdade, só falta escolher a base: Barreirinhas para os circuitos clássicos, Santo Amaro para os mais silenciosos ou Atins para as travessias a pé. Ou as três, que é como funciona uma travessia completa do parque.

O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes Lençóis Maranhenses, que trabalha lado a lado com os guias e as famílias que vivem na borda do parque nacional. De travessias de vários dias a passeios clássicos por esse deserto de mil lagoas, cuidamos da logística para você passar os dias na água, e não numa página de reserva. Fale com a gente!