Mulher em pé sobre uma duna branca acima de uma lagoa azul-turquesa nos Lençóis Maranhenses, sob céu azul
Histórias

Mini-documentário do PlanetaEXO destaca como o ecoturismo injetou mais de R$ 1,4 milhão em comunidades locais dos Lençóis Maranhenses

23 de setembro de 2026

“Lençóis Maranhenses: Far From The Crowds, Close To What Matters” mostra como famílias locais vivem da hospedagem de viajantes em um modelo de turismo em que 80% do faturamento permanece na comunidade

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses vive um momento de superexposição turística. Em 2025, impulsionado pelo título de Patrimônio Mundial da Unesco, o destino recebeu 656.388 visitantes, um salto de 41% em relação ao ano anterior, segundo o ICMBio.

No entanto, longe das lagoas de fácil acesso, a tradicional travessia a pé pelas dunas tem provado que um modelo de turismo focado em baixo volume e alta retenção de receita gera impactos socioeconômicos muito mais profundos.

É esse o cenário apresentado pelo curta-documentário “Lençóis Maranhenses: Far From The Crowds, Close To What Matters”, lançado em 23 de setembro no YouTube pelo PlanetaEXO.

Pôr do sol sobre uma lagoa de água da chuva entre as dunas brancas dos Lençóis Maranhenses
Muito além das lagoas lotadas: o cenário espetacular dos Lençóis Maranhenses, onde um turismo de baixo impacto transforma a realidade de quem vive no parque. (Crédito: Isadora Sá)

Enquanto a maior parte da visitação ao Parque Nacional se concentra em passeios de poucas horas, as 45 comunidades no entorno e interior da reserva apostam no pernoite em residências locais. A atuação do PlanetaEXO, que conecta viajantes diretamente a parceiros locais, comprova a viabilidade e a rentabilidade desse formato.

O marco financeiro comprova a tese do negócio. Nas duas últimas temporadas, a empresa viabilizou a travessia (em roteiros de dois a cinco dias) para um grupo restrito de apenas 583 viajantes.

A matemática do baixo volume e alta rentabilidade é o principal destaque: por meio das operações geridas exclusivamente pelo PlanetaEXO, registrou-se um faturamento bruto de aproximadamente R$ 1,79 milhão.

Mantendo 80% desse valor no próprio destino, a iniciativa da empresa injetou mais de R$ 1,4 milhão integralmente na região. O montante foi repassado sem intermediários para remunerar guias, motoristas e famílias anfitriãs responsáveis por hospedagem e alimentação.

Pequeno grupo de caminhantes atravessando as dunas de areia branca dos Lençóis Maranhenses
Longe das multidões, perto do que importa. O turismo de travessia aposta em pequenos grupos para garantir alta retenção de receita para as comunidades locais. (Crédito: Isadora Sá)

“A gente fica com a menor parte de propósito”, explica Lucas Ribeiro, fundador do PlanetaEXO e diretor do curta. “Se a maior parte do dinheiro não ficar com quem recebe o viajante, cozinha e caminha junto, não é turismo comunitário; é só uma paisagem bonita sendo vendida.”

Trocando a pesca pela hospitalidade

No oásis de Baixa Grande, a horas de caminhada da estrada mais próxima, a mudança econômica é vivenciada por moradores como Seu Moacir e Dona Dete, anfitriões da travessia e personagens centrais do documentário.

Após dedicar-se à pesca de subsistência, Moacir viu sua renda mudar ao hospedar turistas. “Vinte anos na pesca. A gente pegava o peixe para vender e não dava nada, né? O turismo dá um pouco mais”, relata no filme.

A percepção é reforçada por sua esposa. “Tudo era muito difícil”, afirma Dona Dete. Aí veio o turismo hoje e melhorou, graças a Deus, porque aqui era menor, né? As casinhas eram poucas. Agora melhorou. Tem como eu receber mais gente”.

Dona Dete e Seu Moacir sorrindo na janela de sua casa no oásis de Baixa Grande
De pescadores a anfitriões: Dona Dete e Seu Moacir viram sua realidade se transformar com a renda do turismo no oásis de Baixa Grande. (Crédito: Marcelo Bonifácio)

O reflexo econômico salta aos olhos da cadeia local. Segundo o guia maranhense Marcelo Zelarayán, a ferramenta turística melhorou muito a vida das pessoas, garantindo que hoje as famílias tenham “suas casas bem estruturadas”. Ele pontua, no entanto, que o grande atrativo da travessia não é apenas geográfico: “O melhor dos Lençóis são as pessoas”.

Do lado de quem busca por pacotes nos Lençóis Maranhenses, o distanciamento do turismo de massa e o impacto social direto são diferenciais na decisão de compra. “Queríamos visitar de uma forma não turística. Não queríamos estar em grupos enormes”, explica a viajante francesa Morgane Meyer, em depoimento captado no trajeto.

Dois viajantes descendo correndo uma duna branca em direção a uma lagoa nos Lençóis Maranhenses
Em busca de uma imersão autêntica e longe do turismo de massa, os viajantes franceses Morgane e Guillaume optaram pela clássica travessia a pé. (Crédito: Isadora Sá)

Para o turista português Diogo Melo, também retratado no curta, o retorno às famílias anfitriãs justifica o formato: “É muito óbvio o impacto positivo que tem nas comunidades. Quando ficamos [em suas casas], dá para perceber que isto ajuda as famílias a conseguirem ter um nível de vida mais estável e viverem mais confortavelmente”.

O viajante português Diogo Melo descansando em uma duna dos Lençóis Maranhenses
Para o viajante português Diogo Melo, o grande diferencial da travessia é presenciar o impacto positivo e direto que o turismo traz à estabilidade das famílias anfitriãs. (Crédito: Isadora Sá)

O documentário integra os esforços do PlanetaEXO de comprovar que o turismo em áreas naturais brasileiras deve descentralizar a renda, transformando a conservação e o desenvolvimento local em um modelo de negócio viável e lucrativo para as redes de parceiros nativos.

Ficha Técnica | “Lençóis Maranhenses: Far From The Crowds, Close To What Matters”

  • Formato: Curta-documentário
  • Duração: 5min27
  • Direção: Lucas Ribeiro
  • Direção de Fotografia: Isadora Sá e Marcelo Bonifácio
  • Edição: Marcelo Bonifácio
  • Entrevistas: Lucas Ribeiro e Isadora Sá
  • Participações: Seu Moacir e Dona Dete (Baixa Grande – Lençóis Maranhenses), Bruno Lamas (Brasil), Carol Costa (Brasil), Diogo Melo (Portugal), Franck Nicolas (França), Guillaume Poupin (França), Magali Liprandi (França), Marcelo Zelarayán (Barreirinhas – Brasil) e Morgane Meyer (França).
  • Agradecimentos Especiais: Equipe Paraíso do Caju