
Da origem do nome Guarani à lava que esculpiu o cânion, confira as principais curiosidades das Cataratas do Iguaçu, um dos sistemas de cachoeiras mais impressionantes do mundo.
O Rio Iguaçu nasce na Serra do Mar, perto de Curitiba, e faz o contrário do esperado: em vez de descer para o Atlântico, vira as costas para o oceano e atravessa o estado do Paraná rumo ao oeste por 1.320 quilômetros. Poucos quilômetros antes de encontrar o Rio Paraná, no ponto exato em que Brasil, Argentina e Paraguai se encontram, despenca da borda de um planalto de basalto. Essa queda tem nome: Cataratas do Iguaçu.
A fronteira divide o conjunto de um jeito bem desigual. O rio corre por território brasileiro em quase toda a sua extensão, mas só faz divisa perto do fim. É justamente ali que a Argentina fica com quase 80% das quedas, enquanto o Brasil guarda cerca de 20%.

Que a Argentina concentra as cascatas e o Brasil oferece a vista de conjunto, você provavelmente já sabia. Mas o que mais um lugar tão fotografado ainda esconde?
O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em pacotes em Foz do Iguaçu, reuniu 10 curiosidades sobre as Cataratas do Iguaçu. Confira abaixo!
1. O que significa Iguaçu?
Em guarani, “y” significa “água” e “guasu” quer dizer “grande”. Junte as duas e forma-se o Iguaçu: água grande. Quem vivia às margens desse rio, muito antes de existir qualquer mapa, o descreveu em duas sílabas, sem um único adjetivo.
A grafia muda conforme a fronteira: Iguaçu em português, Iguazú em espanhol, Iguassu nos textos ingleses mais antigos e Iguazu no inglês atual. O significa é sempre o mesmo.

2. Lenda das Cataratas do Iguaçu explica as quedas d’água como uma ferida na terra
Uma lenda do povo Kaingang atribui a origem das quedas à fúria de um deus-serpente, filho de Tupã, o deus criador e senhor dos trovões na mitologia tupi-guarani.
M’Boi, divindade serpente e guardiã das águas, exigia o sacrifício de uma jovem por ano. Naipi já estava prometida a ele quando um guerreiro chamado Tarobá se apaixonou por ela. Na cerimônia que a consagraria, os dois fugiram rio abaixo, de canoa.
M’Boi descobriu. Furioso, cravou o corpo na terra e o torceu, rasgando uma fenda enorme no leito do rio. A água despencou lá dentro. Naipi e Tarobá viraram parte da paisagem. Ela, uma das rochas no centro das cataratas, golpeada pela correnteza para sempre. Ele, uma palmeira inclinada sobre o desfiladeiro, perto o bastante para vê-la e nunca perto o bastante para alcançá-la.
Leia a próxima curiosidade sobre as Cataratas do Iguaçu e repare na coincidência: a lenda e a geologia descrevem exatamente a mesma fenda!

3. Como se formaram as Cataratas do Iguaçu: um dos maiores derrames de lava da história da Terra
Durante a ruptura do Gondwana e a abertura do Atlântico Sul, entre 125 e 115 milhões de anos atrás, fissuras continentais imensas despejaram lava basáltica. Os derrames cobriram cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados e formaram uma pilha de até 1.500 metros de espessura.
Essa é a Formação Serra Geral, o maior derrame de lava basáltica já registrado em crosta continental. A mesma rocha aparece do outro lado do oceano, na Namíbia, onde ganhou o nome de Etendeka.
Ao esfriar, a lava lançou os alicerces das quedas. O basalto se fratura em colunas verticais e se separa na horizontal, entre um derrame e outro. No topo dessa estrutura fica uma camada resistente de 8 a 10 metros, que protege a rocha mais frágil debaixo dela. A água se infiltra por essas juntas, corrói a base aos poucos e a camada dura de cima acaba desabando em grandes blocos.
É a mecânica de uma cachoeira — não a água desgastando a rocha uniformemente, mas puxando uma camada de baixo da outra. A história kaingang diz que a terra foi rasgada. O basalto concorda.
4. Quantas quedas têm as Cataratas do Iguaçu e o dia em que ficaram 26 vezes mais fortes
Quando o assunto é a quantidade de quedas, o número que sempre aparece é o de 275 quedas ao longo de uma frente de 2,7 quilômetros. Na imponente Garganta do Diabo, a altura das Cataratas do Iguaçu atinge até 82 metros. Compare com Niágara, de 1,2 quilômetro de largura e uns 50 metros de altura, ou com as Cataratas Vitória, de mais de 1,6 quilômetro.
Só que essas 275 quedas não são exatamente um fato. A conta real varia entre 150 e 300, dependendo do rio. Em mês seco, as cascatas menores viram fio d’água e desaparecem. Na cheia, quedas separadas se juntam numa só cortina. Ou seja: você não vê a mesma cachoeira que o visitante anterior viu.
A vazão diz isso de um jeito mais cru. A média é de 1.746 metros cúbicos por segundo. Em 9 de junho de 2014, o Rio Iguaçu despejou 45.700 metros cúbicos por segundo pela borda. Isso representa 26 vezes a sua média e cerca de 19 vezes o volume de água que as Cataratas do Niágara movimentam em um dia normal.
O Iguaçu tem mais de uma vez e meia a altura de Niágara. A diferença é tão grande que a ex-primeira-dama norte-americana, Eleanor Roosevelt, em visita ao Brasil em 1944, teria exclamado “Minha pobre Niágara!” ao ver o tamanho do que tinha pela frente.

5. Um pássaro atravessa a cortina de água para dormir atrás das quedas
O taperuçu-velho, também conhecido como andorinhão-velho-da-cascata, tem cerca de 18 centímetros e faz uma coisa que parece erro de cálculo. No fim da tarde, acelera na direção das quedas e some dentro da cortina branca. Depois, reaparece de dentro do que parece ser água sólida.
Atrás da lâmina d’água, na rocha vertical encharcada, constrói um ninho achatado em forma de disco, de musgo e pedrinhas cimentadas com barro, e põe um único ovo. As colônias se agarram aos paredões ao lado e atrás da água que cai. A lógica é defensiva: uma parede que predador nenhum escala, protegida por uma água que predador nenhum atravessa voando.
Os taperuçus só existem ali devido ao que está em volta. Juntos, os parques brasileiro e argentino formam o maior remanescente protegido do interior da Mata Atlântica. Na lista de animais das Cataratas do Iguaçu entram mais de 400 aves e cerca de 80 mamíferos, ao lado de mais de 2.000 espécies de plantas, num bioma que perdeu quase toda sua cobertura original.
Essa escassez explica outra coisa: a maior concentração de aves da Mata Atlântica na região não está na mata. O Parque das Aves, na porta do parque brasileiro, abriu em 1994 em 16 hectares de floresta. Atualmente, o local serve de lar para mais de 1.300 aves pertencentes a mais de 130 espécies, sendo que mais de 90% são originárias da Mata Atlântica. Mais da metade veio de apreensões do tráfico e de casos de maus-tratos, não de gaiola de criação.
Além do resgate, o parque reproduz espécies para soltura. Nos viveiros grandes, que o visitante atravessa a pé, as aves destinadas à reintrodução mantêm o preparo físico e o comportamento natural. Além disso, programas como o “Voa, Jacutinga” se dedicam a criar jacutingas para repovoar a mata onde elas viviam.

👉 Leia mais: 20 Animais Brasileiros: Curiosidades Sobre a Vida Selvagem e Onde Encontrá-los
6. As Cataratas do Iguaçu são um dos últimos redutos de onça-pintada da Mata Atlântica
Uma curiosidade sobre as Cataratas do Iguaçu para quem gosta de animais. Desde 2005, o Projeto Onças do Iguaçu, no Brasil, e o Proyecto Yaguareté, na Argentina, contabilizam as onças-pintadas do Corredor Verde, uma por uma, num censo binacional repetido a cada dois anos.
A edição de 2022 instalou 224 estações de câmeras (72 no Brasil e 152 na Argentina) em 582.123 hectares e retornou com 3.763 fotografias de 55 onças adultas.
A população que essas câmeras acompanham já passou por um sobe e desce violento. Entre 1990 e 1995, a estimativa era de 400 a 800 onças na região. Em 2005, restavam de 9 a 11. O censo de 2022 registrou cerca de 93 em todo o corredor, e o de 2024, com cerca de 84, numa faixa de 64 a 110.
São números pequenos, mas é exatamente por isso que eles importam. Este é um dos últimos lugares da Mata Atlântica onde uma população de onças-pintadas ainda funciona, num bioma que já cobriu quase toda a costa brasileira e hoje sobrevive em fragmentos.
As câmeras instaladas por pesquisadores que trabalham para protegê-las, no entanto, sempre as registram.

👉 Leia mais:
7. A história das Cataratas do Iguaçu passa por um pioneiro da aviação
A história do parque brasileiro começa em 1916, quando Santos Dumont foi conhecer as cataratas e descobriu que elas pertenciam a um proprietário particular, o uruguaio Jesús Val.
Em 8 de maio, o homem que tinha voado o 14-bis sobre Paris foi recebido por Afonso Alves de Camargo, governador do Paraná, e defendeu que o governo estadual desapropriasse a área e a transformasse em parque.
Menos de três meses depois, em 28 de julho de 1916, o Decreto 653 declarou de utilidade pública 1.008 hectares na margem direita do Rio Iguaçu, ao lado do que então se chamava Saltos de Santa Maria. A desapropriação em si só foi resolvida em 1919, quando Val aceitou a indenização.
Os parques vieram depois. A Argentina criou o seu Parque Nacional Iguazú em 1934, e o Brasil abriu o Parque Nacional do Iguaçu em 10 de janeiro de 1939, pelo Decreto-Lei 1.035, de Getúlio Vargas. A UNESCO inscreveu o parque argentino em 1984 e o brasileiro em 1986.
No Brasil, Santos Dumont é lembrado pelo avião. No que diz respeito às curiosidades sobre Foz do Iguaçu, é o motivo pelo qual as cataratas não estão atrás de um portão particular.

👉 Leia mais: Parques Nacionais no Brasil que todo amante da natureza deveria visitar
8. Já foi Patrimônio Mundial em Perigo e virou Nova Maravilha da Natureza
O título não é vitalício, e o Iguaçu já chegou perto de perdê-lo. A Estrada do Colono, aberta em 1954, corta o parque brasileiro em dois. O governo federal a fechou em 1986, mas foi reaberta ilegalmente em 1987 e seguiu em uso por mais catorze anos. Em 1999, a UNESCO colocou o Parque Nacional do Iguaçu na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo.
A estrada foi fechada de vez em 13 de junho de 2001, numa operação de órgãos militares e ambientais federais que depois destruiu o leito da via em toda a extensão e plantou 25.000 mudas ali. A UNESCO tirou o parque da lista de perigo em dezembro de 2001. A pressão para reabrir a estrada nunca parou.
Dez anos depois, surgiu o tipo oposto de manchete. Numa votação pública global encerrada às 11h11 de 11 de novembro de 2011, o Iguaçu foi eleito uma das Novas 7 Maravilhas da Natureza, dividindo a lista com a Amazônia, Baía de Ha Long, Ilha de Jeju, Komodo, Rio Subterrâneo de Puerto Princesa e Table Mountain.
As duas coisas são verdadeiras e uma não apaga a outra: o intervalo que fez das Cataratas do Iguaçu uma maravilha do mundo que você conhece hoje é o mesmo em que quase perderam sua proteção.
9. Existe exatamente um hotel dentro do parque brasileiro
Aberto em 1958 em estilo colonial português, o Hotel das Cataratas ganhou alas novas em 1971 e 1982. Atualmente conhecido como Belmond Hotel das Cataratas, é a única hospedagem situada no interior do Parque Nacional do Iguaçu.
O endereço vale mais que a arquitetura. O parque tem horário de visitação, então todo mundo chega depois que abre e vai embora antes de fechar. Quem dorme lá dentro faz a trilha antes do primeiro e depois do último ônibus. Nas duas janelas em que a luz está baixa, a névoa pega o sol e as passarelas estão vazias.
👉 Conheça a aventura: Passeio de Luxo de 3 Dias às Cataratas do Iguaçu
10. Cinco noites por mês, o parque abre no escuro
Em cinco noites por mês, em torno da lua cheia, o parque argentino abre depois do pôr do sol. São três saídas por noite, de cerca de duas horas e meia cada: o Tren Ecológico de la Selva atravessa a mata sob as estrelas e, no fim, a passarela de aço leva até a Garganta do Diabo, iluminada só pela lua.
O que quase todo mundo vai buscar ali é o arco-íris lunar, um arco formado quando a luz da lua se refrata na neblina do mesmo jeito que a luz solar faz durante o dia, só que mais fraco e quase sem cor a olho nu.
Ainda que seja um fenômeno fascinante, o arco-íris lunar em Iguaçu não é garantido, já que depende de céu limpo, lua alta e a quantidade certa de neblina no ar.
Conheça as curiosidades sobre as Cataratas do Iguaçu com o PlanetaEXO
Agora que você conhece as Cataratas do Iguaçu e as curiosidades que sustentam sua reputação internacional, falta a melhor parte: ver tudo isso de perto!
O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes em Foz do Iguaçu, com roteiros pelos lados brasileiro e argentino. Numa viagem econômica ou experiência de luxo dentro dos limites do parque nacional, nossa equipe organiza a logística e você só se preocupa em aproveitar. Fale conosco agora!
Continue lendo

24 de agosto de 2026
A Trilha de 3 Dias de uma Família nos Lençóis Maranhenses: a História de Olivia no Brasil
A família de Olivia fez a trilha de 3 dias pelos Lençóis Maranhenses: as dunas, os guias, a segurança, o idioma e suas dicas para iniciantes.

21 de agosto de 2026
8 curiosidades sobre o Mirante do Gavião Amazon Lodge, um refúgio premiado na Amazônia
Arquitetura premiada, boto-cor-de-rosa à porta e só 13 suítes: conheça o Mirante do Gavião Amazon Lodge, em Novo Airão, na Amazônia.

19 de agosto de 2026
É seguro viajar ao Monte Roraima na Venezuela?
O Monte Roraima é perigoso? Não se você for preparado. Veja os perigos reais e como planejar uma viagem segura à Venezuela e ao Mundo Perdido.
