
Conheça projetos de conservação na Amazônia que fazem diferença para a flora, a fauna e as pessoas da floresta
A Amazônia cobre 6,74 milhões de km² em nove países e guarda cerca de um quinto da água doce do planeta. Desse total, 4,2 milhões de km² estão em território brasileiro, área maior que a da Índia. O que acontece nesse trecho de floresta dita o ritmo do bioma inteiro, e é por isso que cada número de desmatamento divulgado em Brasília é analisado no mundo todo.
O desmatamento na Amazônia chegou ao menor nível anual desde 2014, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Nos últimos dois anos, a região registrou os melhores números em mais de uma década, incluindo uma redução de 45% na área queimada.
Por trás desses números existe uma lista longa de organizações que já trabalhavam quando ninguém estava olhando. Quer saber como preservar a Amazônia na prática, depois que o assunto sai do noticiário?
O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em pacotes na Amazônia, reuniu 8 projetos ambientais que agem no chão da floresta, liderados por instituições com resultados comprovados. Confira abaixo!

1. Programa de Empreendedorismo e Negócios Sustentáveis da Amazônia (Pensa)
Ingredientes raros que não crescem em nenhum outro lugar, uma paisagem que atrai viajantes de todos os continentes e comunidades que querem construir negócios em vez de vender madeira, a Amazônia tem a matéria-prima para uma economia que preserva a floresta. O que geralmente lhe falta é capital e capacitação.

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) criou o Pensa para fechar essa lacuna, partindo do princípio de que a conservação da Amazônia falha sempre que exige que as famílias fiquem mais pobres do que a alternativa.
O programa mantém uma incubadora de negócios a distância em 583 comunidades de 16 Unidades de Conservação, formando empreendedores em gestão, precificação e vendas. No interior da floresta, a maioria dos negócios é tocada por mulheres.
A FAS publicou os resultados de 2024 na íntegra: 11,3 milhões de hectares sob proteção, 21.900 famílias atendidas em 902 comunidades e vilas de 166 municípios, R$ 8,6 milhões de receita bruta gerada na cadeia do turismo e 17,2 milhões de toneladas de CO₂ evitadas. De 2008 a 2024, a renda média das famílias atendidas subiu 202%, enquanto o desmatamento nessas mesmas áreas caiu 40%.
Como apoiar: doe pelo fas-amazonia.org, onde os relatórios anuais de atividades também são publicados na íntegra.
👉 Leia mais: Como chegar na Amazônia no Brasil?

2. Fundação Almerinda Malaquias (FAM)
Alguns projetos de conservação ambiental na Amazônia começam numa oficina, não em laboratório. A FAM é uma organização sem fins lucrativos de Novo Airão, no Amazonas, que há 25 anos trabalha com uma premissa simples: um jovem devidamente encaminhado profissionalmente não precisa ferir a floresta para se sustentar.

Tudo começou quando Miguel Rocha, marceneiro da cidade, passou a ensinar marcenaria a adolescentes usando as sobras de madeira descartadas pelos estaleiros locais.
A fundação atua em três frentes:
- Geração de renda: formação profissional em marcenaria, marchetaria, artesanato em papel reciclado e produção de sabonetes artesanais.
- Educação ambiental: oficinas para crianças e adolescentes da região sobre a floresta em que vivem e as alternativas econômicas que oferece.
- Ecoturismo: a viagem como ferramenta que sustenta a escola e a oficina.
Cerca de 1.000 pessoas já se formaram em marcenaria e marchetaria na FAM desde sua fundação. Um programa em andamento, apoiado pela FAS e pelo Fundo Amazônia/BNDES, deve alcançar mais 45 famílias e ampliar a cadeia local do artesanato.
Dois operadores de ecoturismo patrocinam a fundação diretamente: Mirante do Gavião Amazon Lodge e Expedição Katerre. Os dois atuam dentro e no entorno do Parque Nacional de Anavilhanas, a poucos minutos de barco da própria oficina.
Como apoiar: compre os produtos artesanais ou doe em fundacaoalmerindamalaquias.org.

3. Instituto Mamirauá
Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) foi fundado em abril de 1999. Com sede no município de Tefé (AM), destaca-se como a única instituição federal de pesquisa dessa natureza sediada no interior da região amazônica.

O instituto conduz programas de pesquisa e de trabalho comunitário na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, 1.124.000 hectares de floresta de várzea alagada, e na vizinha Reserva Amanã.
O trabalho recente de maior peso nasceu de um evento lamentável. Durante a seca recorde de 2023, o lago Tefé perdeu cerca de 75% da superfície e a água chegou a 41 °C. Mais de 200 botos e tucuxis, já ameaçados de extinção, morreram, cerca de 10% da população local em uma única semana.
O IDSM liderou a resposta em campo e o estudo que veio depois, usando modelagem hidrodinâmica para provar que toda a coluna d’água de 2 metros bateu 40 °C, sem rota de fuga para os animais. A pesquisa hoje orienta o plano de contingência para secas no médio Solimões e mostra que a preservação da floresta amazônica precisa também considerar o calor extremo, não apenas o desmatamento.
O ecoturismo financia parte disso. O Uakari Lodge é uma pousada flutuante dentro da Reserva Mamirauá, acessível de barco a partir de Tefé, e uma das operações de turismo de base comunitária mais antigas do Brasil. Administrado em gestão compartilhada pelo IDSM e pelas comunidades ribeirinhas da região, oferece oportunidades profissionais para os moradores, enquanto também age diariamente para proteger a floresta.
Como apoiar: doe em mamiraua.org.br ou reserve sua estadia na pousada.
👉 Leia mais: O melhor hotel de selva na Amazônia: onde se hospedar no Brasil

4. Sea Shepherd Brasil – Expedição Boto da Amazônia
As populações de botos-cor-de-rosa e tucuxis caem pela metade a cada 9 ou 10 anos, segundo pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). As duas espécies estão classificadas como em perigo de extinção. A pesca ilegal, o mercúrio proveniente da mineração de ouro, a poluição por plástico e as secas de 2023 e 2024 convergem para o mesmo problema.

Com o intuito de construir uma base inédita de dados contínuos e de longo prazo sobre as espécies, um dos principais projetos de conservação ambiental com foco em vida selvagem, a Sea Shepherd Brasil, deu início à Expedição Boto da Amazônia em 2021. Criada em Vancouver, Canadá, em 1977, a ONG possui um braço nacional focado diretamente na proteção dos botos.
Com uma equipe de 21 integrantes, incluindo nove pesquisadores do INPA, da UFPA (Universidade Federal do Pará) e da Sea Shepherd Brasil, , a sexta expedição zarpou em 14 de março de 2025. Ao longo da jornada, a missão navegou por mais de 1.000 km de igarapés, lagos e rios no médio Solimões.
Com a conclusão dessa jornada, o primeiro ciclo de seis expedições foi oficialmente encerrado, tornando possível uma avaliação inédita e concreta da situação dessas populações. Além disso, os pesquisadores realizaram oficinas de educação ambiental para 100 estudantes em Coari, uma das áreas mais afetadas pela perda de botos.
Como apoiar: a campanha se mantém com doações recorrentes a partir de R$ 1 por dia em seashepherd.org.br.
5. Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão
Criado em 2019 em Alter do Chão, no Pará, esse voluntariado na Amazônia cobre cerca de 1,2 milhão de hectares em seis áreas protegidas e territórios indígenas do Baixo Tapajós. Para a instituição, combater os incêndios é uma medida extrema e não a estratégia central, já que grande parte das ações contra o desflorestamento é colocada em prática com atraso.

Quase todo incêndio na Amazônia é evitável com manejo integrado do fogo, queimadas controladas no início da estação e trabalho constante com as comunidades que usam o fogo como ferramenta agrícola.
Em 2024, a brigada ajudou a criar a Rede de Brigadas do Baixo Tapajós (RBBT), sete brigadas voluntárias e comunitárias operando como um sistema só: Alter do Chão, Esquadrão Combate Ativo (Anã), Guardiões da Terra (Maripá), Guardiões Kumaruara, Nova Vista, a Brigada Indígena Murucututu e Escrivão.
A organização trabalha em conjunto com o ICMBio, Prevfogo/Ibama e mais de 15 instituições parceiras, como o WWF Brasil e a Fundação Pau Costa. Devido ao seu sucesso, essa metodologia tem sido analisada para implementação em outros biomas, incluindo a Caatinga, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal.
Como apoiar: doações por Pix ou PayPal em brigadadealter.org.br.
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6. Expedicionários da Saúde (EDS)
A Expedicionários da Saúde nasceu em 2003, criada por um grupo de médicos voluntários que decidiu que, se o paciente indígena não consegue chegar ao centro cirúrgico, o centro cirúrgico vai até ele.
Com uma infraestrutura totalmente portátil, a EDS transporta um hospital de campanha completo por via aérea, englobando salas cirúrgicas, centros de esterilização e equipamentos de diagnóstico por imagem, até comunidades isoladas e sem acesso terrestre, realizando atendimentos assistenciais intensivos por duas semanas.
Até 2026, a organização soma 57 expedições com mais de 300 voluntários em uma área de mais de 500.000 km². A 54ª expedição bateu o recorde de uma única viagem: 107 cirurgias, 712 consultas médicas e 2.179 exames e procedimentos.
Hoje, realiza expedições com o Ministério da Saúde pelo programa Agora Tem Especialistas. Em 2023, ganhou o Prêmio Zayed de Sustentabilidade na categoria Saúde. O cirurgião-ortopedista Dr. Ricardo Affonso Ferreira, fundador e presidente da EDS, foi convidado para participar da COP28 em Dubai em dezembro do mesmo ano.
Aqui, saúde é política de conservação. Manter as populações em suas terras nativas, com assistência médica adequada, é fundamental para garantir a proteção contínua desses ecossistemas.
Como apoiar: doe em eds.org.br.

7. Mulheres Empreendedoras da Floresta
O Mulheres Empreendedoras da Floresta forma mulheres em Santarém, Belterra, Mojuí dos Campos e Aveiro, no oeste do Pará, para montar e tocar negócios baseados em produtos da floresta: óleos, farinhas, polpas de fruta, artesanato e colheitas agroflorestais.

Sua administração é encabeçada pelo Projeto Saúde e Alegria (PSA), ONG da Amazônia em atuação desde 1987, com o sindicato dos trabalhadores rurais de Santarém e financiamento da União Europeia.
A lógica é direta. Quando o desmatamento, movido pela pecuária, extração ilegal de madeira e mineração, esgota os recursos naturais, as famílias locais sofrem, e são as mulheres que sentem o primeiro impacto.
Com formação, capital inicial e acesso direto ao mercado, as comunidades conseguem transformar a floresta numa alternativa econômica viável e bem mais rentável. 22 cooperativas e associações da região do Tapajós fazem parte do projeto, que realizou seu seminário de resultados em abril de 2026.
Como apoiar: conheça o projeto e os outros trabalhos do PSA em saudeealegria.org.br.
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8. Programa Carbono Neutro (PCN)
O Programa Carbono Neutro é o projeto de preservação da Floresta Amazônica mais antigo sob gestão do Idesam, organização sem fins lucrativos fundada em 2004. Seu objetivo é possibilitar que pessoas e empresas compensem suas emissões de gases de efeito estufa ao financiar o plantio de árvores nativas em sistemas agroflorestais, com prioridade para espécies que também geram renda (açaí, cupuaçu, andiroba, castanha-do-pará e outras).

O plantio acontece na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, nos municípios de São Sebastião do Uatumã e Itapiranga, a cerca de 330 km de Manaus.
O Idesam publicou os resultados de 15 anos do programa (2010–2025): 23.179 tCO₂e neutralizadas, 77.262 mudas plantadas, 101 hectares de área degradada restaurados, 129 sistemas agroflorestais implantados e 111 famílias parceiras envolvidas.
Dentre todas as iniciativas apresentadas, o PCN oferece o meio mais concreto para empresas que buscam impactar de forma mensurável a proteção da Amazônia. Em vez de apenas emitir um certificado, garante apoio direto a uma comunidade local com rosto e história, contribuindo também para o fortalecimento de outros projetos de conservação ambiental na região.
Como apoiar: calcule e compense sua emissão de carbono em idesam.org.

Como o ecoturismo na Amazônia favorece a preservação da floresta
Não é por acaso que o viajante ajuda a financiar três dos oito projetos de conservação ambiental desta lista. Em uma região onde um hectare de pastagem desmatada rende algumas centenas de reais por ano, o turismo é um dos poucos usos da terra que compensa mais quando a floresta permanece preservada.
Os números mostram resultados. O Uakari Lodge, por exemplo, repassou R$ 607.688 a uma associação comunitária só em 2025, enquanto a FAS registrou R$ 8,6 milhões de receita bruta na cadeia do turismo em 2024. Em Novo Airão, a oficina da FAM, por sua vez, se sustenta com o patrocínio de pousadas e a venda de artesanato para viajantes.
É também por isso que o turismo sustentável na Amazônia só funciona quando o dinheiro fica na comunidade: cada centavo conta para a floresta e para quem vive nela.
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Apoie a preservação da Amazônia com o PlanetaEXO
Agora que você conhece alguns projetos de conservação ambiental na Amazônia, o próximo passo é escolher como apoiar: doação, compensação de carbono, compra na oficina de uma comunidade, voluntariado ou viagem que aplica o seu dinheiro na economia local assim que você desembarca.
O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em turismo sustentável no Brasil, que trabalha lado a lado com operadores, guias e associações comunitárias que mantêm esses lugares de pé. Nosso time cuida da logística, das autorizações e dos traslados, para que o seu investimento vá para onde deve ir e você possa se concentrar na natureza. Fale conosco!
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